sexta-feira, 2 de março de 2012

amarra o tênis, sai na rua, a rua sai em mim, anda nos olhos: ônibus, polícia, os rostos que eu vejo são tão rápidos quanto o meu, no espelho, ninguém passa a vida na frente do espelho, a gente tenta, mas precisa andar sair em frente e olha pros outros,

meu rosto não é tudo o que eu tenho

então procuro: você, você, você, onde está? meus pés se arrastam me cansa olho pra baixo vejo areia invade as ruas do país, forma dunas cada vez mais altas, e eu preciso te encontrar. no tornozelo, na canela, as pessoas andam assustadas e desinteressadas de mim, como eu delas, só te procuro

para voltarmos para casa, o apartamento deve estar a salvo destas dunas. a areia entras pelos caminhos com um vento sem direção, vem de todo lado e traz talvez areias das praias de todo o continente, desde los angeles até mar del plata a sempre pesada terra nossa se dissolve e viaja, veio afogar são paulo

os ônibus param, carros cobertos. helicópteros fogem e quem não voamos nada a caminho de alguém, mas você não está

e nenhuma dessas pessoas me serve de você

as dunas são tão rápidas e eu não consigo, ninguém que eu veja: afundamos todos, mas não juntos. quem sabe se aqui embaixo, no escuro seco movediço, eu não te encontre...

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