as vontades se zangaram e partiram da cidade
deixando a sós comboios que não partem
trilhos e avenidas dizem "não me acorde"
e as pessoas escreviam "ai de nós" que
nem vontade temos mais de ter
vontades, as harpias do desejo
os cachorros então tomaram a república
e mijavam nas pernas de quem se levantasse
passou um período de grande sequia
no qual morreram milhos e galinhas
um dia veio a chuva e levou as coisas mortas
tinha muita coisa viva
era domingo minha mãe tinha me levado pra igreja
e na escola dominical cantávamos corinhos
quando um grito de pavor veio da rua e tomou deus
a cidade inteira socorreu e era no céu
inédita a tanto tempo que nem lembrávamos
contra o sol mal discerníamos a silhueta
de uma mulher-homem flutuando contra a gente
os seios pensos coxas úmidas distantes:
a vontade não pousava, e partiria?
os cachorros uivaram nesses dias
sexta-feira, 2 de março de 2012
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